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Caixa de som de mesa no PC: por onde entra o som, de onde vem a energia e o que os watts contam
Atualizado em outubro de 2026
Quantos cabos você está disposto a ver atrás do computador? E onde vai ficar o seu fone de ouvido quando a casa estiver dormindo?
Parecem perguntas pequenas, mas é nelas que duas caixas de som de mesa se separam. Por fora, as duas são pares de caixas pretas que ficam ao lado do monitor. Por dentro, uma recebe o som pelo USB e a outra, pelo plugue de fone. Uma tem Bluetooth e a outra, não. Uma publica 4 W e a outra, 14 W.
Pra mostrar isso, vou usar duas caixas: a Redragon Yorick GS511 preta e a Trust Arys 2.0 preta. Elas aparecem aqui como exemplo, e não como candidatas. A ideia é entender o que cada jeito de ligar muda na sua mesa, e o que os números da caixa dizem de fato.
O nome e o código
Os dois exemplos têm primos de nome parecido, e o dado de um não serve pro outro:
- a Yorick deste texto é a GS511, código de barras 6950376715456. Os números vizinhos da Redragon (GS510, GS520, GS550) são de outras caixas, com outros nomes;
- a Arys deste texto é a 2.0, artigo 20179, código de barras 8713439201796. O mesmo nome Arys aparece em versão com subwoofer, em soundbar e em modelos Compact e RGB da Trust, que não entram aqui.
A regra prática: nome, número do modelo e cor precisam aparecer juntos no anúncio. Se faltar um, a especificação pode ser de outra caixa.
Três entradas de som
Numa caixa de mesa, o som pode chegar por três caminhos. Os dois exemplos não usam os mesmos:
| Caminho | Yorick GS511 | Arys 2.0 |
|---|---|---|
| USB com som | sim, como placa de som USB | não; o USB só alimenta |
| P2 de 3,5 mm | não confirmado | sim, entrada de linha |
| Bluetooth | 5.3, com o USB ligado | não |
| Energia | USB, 5 V, de 1 A a 2 A | USB-A, sem tomada de parede |
Repare que as duas usam o USB. Só que, numa, ele faz tudo, e na outra, só uma parte. Daí vem quase toda a diferença de uso.
O USB que leva som
Na Yorick, o USB carrega duas coisas ao mesmo tempo: a energia e o som. Pro computador, a caixa aparece como uma placa de som externa. Depois de ligada, você escolhe "GS511" na lista de saídas de áudio do sistema.
O ganho é a mesa limpa: um único cabo USB liga o conjunto ao computador. A outra face é que a caixa depende dessa porta. Sem bateria, ela fica muda se o USB não estiver ligado numa fonte de energia. O som do computador, porém, tem dois caminhos: o próprio cabo USB ou, num computador com Bluetooth compatível, o envio sem fio, com o USB ligado só pra energia. Pelo P2, não dá pra contar, porque a entrada P2 não está confirmada nesse modelo.
O USB que só alimenta
Na Arys, o cabo USB-A é só energia. A Trust deixa isso claro: o áudio exige o cabo de 3,5 mm. Pra quem chega esperando uma caixa "USB", é a confusão número um: a porta está ligada e o som não sai.
A solução é ligar os dois. O USB alimenta e o P2 vai na saída de áudio do computador. A vantagem desse arranjo é que o P2 aceita qualquer aparelho com saída de 3,5 mm, não só o computador.
A tomada
Nenhum dos dois exemplos liga direto na tomada de 127 V ou 220 V. A energia vem pelo USB.
Na Arys, a porta USB-A basta, segundo a Trust. Quantos volts e amperes ela pede, isso não está confirmado. Não use os 14 W de potência pra calcular quanto ela gasta: potência de som e consumo são coisas diferentes.
Na Yorick, o manual pede USB de 5 V, de 1 A a 2 A. O curioso é o adaptador de tomada. A página brasileira da Redragon diz que ele vem incluído. O manual diz que não. Enquanto ninguém esclarece, o seguro é contar com a porta do computador ou com um carregador USB que você já tenha e que entregue essa corrente.
No computador de mesa
Num gabinete, a conta é de portas. A Yorick ocupa uma porta USB. A Arys ocupa uma porta USB e a saída de áudio de 3,5 mm.
Se o gabinete fica no chão, a distância também entra na conta. Os cabos da Arys têm 130 cm cada. Na Yorick, o comprimento do cabo USB não está confirmado. Meça do lugar da caixa até a porta antes de comprar qualquer uma das duas.
No notebook
No notebook, a Yorick resolve com uma porta USB. A Arys pede uma porta USB e o plugue de 3,5 mm do notebook. Confira se o seu tem os dois livres ao mesmo tempo, contando o que já fica ligado nele, como mouse e receptor sem fio.
No celular
Aqui os caminhos se separam de vez.
A Yorick toca o celular pelo Bluetooth 5.3. Você troca a entrada com dois cliques no botão, procura "GS511" no celular e pareia. O manual diz que a caixa guarda o modo de conexão. O alcance publicado é de menos de 15 metros, sem dizer em que condição. Trate como teto, e não como promessa.
O detalhe que muda tudo: a Yorick não tem bateria. Mesmo tocando pelo Bluetooth, ela continua presa a um cabo USB ligado. É Bluetooth de mesa, e não caixa pra levar.
A Arys não tem Bluetooth. O celular só toca nela pelo cabo P2, e só se tiver saída de 3,5 mm.
No console
Uso em console não está confirmado em nenhum dos dois exemplos. As duas marcas descrevem as caixas para o computador e, no caso da Arys, também para celular, tablet e tocador de MP3 pelo P2. Se a ideia é ligar no videogame, pergunte à marca antes.
Os watts
Aqui mora a confusão maior dos dois exemplos. São quatro valores publicados:
- Yorick: 4 W RMS no total (2 W em cada caixa) e 4 W de PMPO;
- Arys: 14 W RMS no total e 28 W de pico.
RMS, pico e PMPO são rótulos diferentes. A Trust deixa claro que os 28 W são de pico e não são RMS. A Redragon chama os 4 W de PMPO sem explicar como mediu. Por isso, a única comparação justa entre as duas é RMS com RMS: 14 contra 4, ou seja, 3,5 vezes. Comparar os 28 W de pico da Arys com os 4 W RMS da Yorick daria 7 vezes, uma conta errada.
A Yorick ainda tem um tropeço de rótulo. Fora do Brasil, a loja da Redragon põe o "2 W × 2" no lugar do consumo elétrico. Aqui, a marca chama esse número de RMS. Vale o rótulo brasileiro, e consumo medido continua sem número.
Na Arys, falta saber quanto dos 14 W fica em cada lado.
O tamanho do alto-falante
A Yorick tem um alto-falante de 2 polegadas em cada caixa, cerca de 51 mm. A Arys publica um driver de 60 mm. A diferença é de uns 9 mm.
Esse número dá ideia do porte da peça. Mas ele não diz, sozinho, se o grave é cheio ou se o som é limpo.
Os hertz
Na resposta de frequência, a Yorick publica de 60 Hz a 20 kHz. A Arys publica de 20 Hz a 20 kHz.
Na parte de cima, as duas terminam no mesmo lugar. Na parte de baixo, a da Arys começa mais embaixo no papel. Só que as condições dessas medidas não estão confirmadas. Faixa publicada não mostra se o som é igual de forte em toda a faixa. Leia como número de catálogo.
Os ohms
A Arys publica 4 ohms de impedância. Na Yorick, esse número não está confirmado. Com um lado só publicado, ele não serve pra comparar as duas.
O fone na caixa
A Arys tem saída para fone de 3,5 mm na própria caixa. É a diferença de não precisar se esticar atrás do computador de noite: o fone vai na caixa, que já está na mesa.
Na Yorick, saída de fone não está confirmada. A Redragon descreve o USB e o Bluetooth, e só.
Dois volumes
Com o fone ligado na Arys, existe uma pegadinha: o volume do fone é ajustado pelo computador, e não pelo controle da caixa. Girar o botão da frente não muda nada no fone.
O conselho é simples: antes de pôr o fone na cabeça, baixe o volume no computador e vá subindo aos poucos.
O microfone
Caixa de som não é headset. Na Arys, a Trust descarta os dois: nem microfone dentro, nem conexão pra ligar um. Na Yorick, nada sobre microfone está confirmado.
Pra conversar no jogo com as duas, continue com headset ou com microfone à parte.
A luz
A Yorick tem luz RGB personalizável, e a cor muda com um clique no botão. Se a luz apaga por completo não está confirmado. Programa de computador pra luz também não.
Na Arys, a luz é do controle de volume. Aqui a própria Trust se contradiz: a descrição e a página confirmam o controle iluminado, e um campo técnico marca a iluminação como negativa. O que se pode dizer é isto: luz no controle, sim; luz colorida no corpo, não está confirmada.
Um botão ou um controle
A Yorick concentra tudo num botão só: girar muda o volume, segurar 3 segundos liga e desliga, dois cliques trocam USB e Bluetooth, um clique troca a cor. Prático, mas exige atenção na contagem de cliques nos primeiros dias.
A Arys tem um controle na frente com liga e desliga e volume. Também aqui a Trust se contradiz num campo técnico, que diz não haver controles. O suporte da marca confirma as duas funções.
Barra ou par
A Yorick tem um truque: as duas caixas se prendem por um encaixe deslizante e viram uma barra. Soltas, viram um par, ligadas por um cabo de até cerca de 106 cm.
Na Arys, as caixas conversam por cabo. Encaixe em barra não está confirmado.
Na prática, a barra ocupa a frente do monitor, e o par ocupa as laterais. Escolha o formato pela sua mesa, e não pelo produto.
Os cabos
Na Arys, cada um dos três cabos (energia, som e ligação entre as caixas) tem 130 cm. O de energia não é removível: fica preso na caixa.
Na Yorick, o cabo entre as caixas tem até 41,7 polegadas. A conta: 41,7 × 2,54 = 105,9 cm, cerca de 106 cm. O comprimento do cabo USB não está confirmado.
Comparando o que está publicado: o cabo entre as caixas da Arys é cerca de 24 cm maior (130 − 106).
Medidas e peso
As duas marcas publicam medidas que não explicam o que foi medido.
Na Yorick, há dois jogos de números: 70 × 93 × 205 mm de um lado e 15,94 × 3,66 × 2,75 polegadas do outro, perto de 40,5 cm no lado maior. Qual deles é a barra montada e qual é uma caixa sozinha, ninguém explica. O peso sem embalagem é de 876 g; com ela, 945 g.
Na Arys, os mesmos 200 × 180 × 110 mm aparecem para o produto principal e para a caixa satélite. O total publicado é de 1.400 g, e o satélite, 654 g.
A lição: com medida duvidosa, nem a maior delas garante o espaço. Confirme com o vendedor as medidas da forma que você vai usar antes de comprar.
Perto do copo
A Trust diz que a Arys não é à prova d'água. Na Yorick, resistência à água não está confirmada. Nas duas, o cuidado é o mesmo: copo longe da caixa.
Na limpeza
Na Arys, a orientação de segurança da Trust vale para os produtos da marca em geral: pano seco, longe de água, umidade e calor, sem abrir nem consertar, e parar de usar se a caixa estiver danificada ou esquentar demais. Rotina específica da grade não está confirmada.
Na Yorick, o manual não traz orientação de limpeza. Não aplique a regra de uma marca na outra: pergunte à Redragon antes de usar qualquer produto.
Quando o som some
Caixa ligada e silêncio? Nos dois exemplos, o caminho de checagem é diferente.
Na Yorick, veja primeiro em que modo ela está. Dois cliques no botão trocam entre USB e Bluetooth, e um clique a mais na hora errada pode deixar a caixa no modo que você não queria. Depois, confira se "GS511" é a saída escolhida no sistema.
Na Arys, olhe o cabo P2. Sem ele na saída de áudio do computador, não há som, mesmo com o USB ligado. Em seguida, confira a saída de áudio do sistema e o controle da frente.
No dia em que chega
- Confira o código na caixa: GS511 na Yorick, 20179 na Arys.
- Veja o que veio. Na Yorick, o manual lista duas caixas e um manual; o adaptador de tomada é a dúvida. Na Arys, vêm as caixas, os cabos e o guia.
- Ligue no computador e escolha a saída de áudio certa: "GS511" na Yorick; na Arys, a saída onde está o P2.
- Na Yorick, teste os dois cliques e pareie o celular. Na Arys, teste o fone na saída de 3,5 mm da caixa, com o volume do computador baixo.
- Guarde a nota fiscal.
Na garantia
Na Yorick, os 12 meses para defeito valem na loja da própria Redragon, com nota fiscal, e o primeiro contato é o suporte da marca. Em qualquer outra loja, o prazo precisa ser perguntado ao vendedor.
Na Arys, o prazo divulgado pela Trust para a região é de um ano, desde que a loja seja revendedora oficial. O defeito se resolve com quem vendeu: leve o comprovante, explique a falha e devolva com os acessórios, porque a marca troca pelo ponto de venda em vez de consertar. O detalhe completo dessas regras no Brasil ainda não está confirmado.
No fim, caixa de som de mesa é isto: primeiro o cabo, depois o watt.
Setor de áudio de mesa gamer